quarta-feira, 20 de abril de 2011

Reunião do Grupo

Por: Eduardo Lucena

Caros pesquisadores,

Em razão do feriadão da Semana Santa, estaremos realizando a nossa reunião no próximo dia 28/04, quinta-feira, 19:30h, na FAL Jaraguá. Por favor, coloquem no comentário deste post a sua intenção no comparecimento na reunião.

Pauta:

1. Leitura da ata da reunião anterior;
2. Organização e diretrizes do nosso 1o Fórum sobre Violência e Criminalidade.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Brincadeiras expressas do Vice-Governador

Por: Eduardo Lucena
http://celiogomes.blogsdagazetaweb.com/2011/04/05/nono-pm-e-reajuste-salarial/

Lincando na notícia acima, estaremos diante de algumas "verdades numéricas" ditas pelo Vice-Governador do Estado de  Alagoas; Bem, como ele queria colocar a sua mão à palmatória caso alguém rebatesse em números a sua "eloquente e insofismável" tese, coloco abaixo a resposta dada ao Vice-Governador:

Eduardo Lucena 05. abr, 2011 às 18:59 #
Respondendo ao Vice-Governador…(com números):
O ítem sobre a idade dos Policiais está correto: A tropa está sim envelhecida; mas tem mais…além de envelhecida, o efetivo de 8.000 policiais precisa ser debitado 1/12 avos referentes aos policiais que devem tirar férias mensalmente; nos resta cerca de 7.200; deve-se ainda retirar destes, os policiais que trabalham administrativamente, o que é essencial para o suporte da tropa operacional; vamos tirar, por baixo, cerca de 600 policiais: sobram 6.400; vamos retirar agora os policiais que trabalham nas diversas assessorias, o que nos daria um número aproximado de 400 policiais; sobram 6.000; destes, vamos retirar agora os policiais que se encontram de licença médica, baixados, licença para tratamento de saúde de pessoa da família,alcoólatras, etc, etc, etc…por baixo,(bem por baixo) eu diria menos 600 policiais; sobram 5.400. Bem, agora, utilizando a escala de serviço mais simples, 24X48, nós teríamos cerca de 1.800 policiais para serviço diário, devendo estes policiais estarem divididos entre Capital e interior; sendo ainda benevolente com os números, teríamos 900 policiais no interior para cerca de 2.000.000 (dois milhões de habitantes), e na Capital, 900 policias diariamente, o que, segundo o Vice- Governador e um suposto cálculo de relação policial X habitante, dizem, dito pela ONU, teríamos uma proporção na Capital de 1 policial para 1.100 habitantes; no interior, teríamos 1 policial para 2.100 habitantes. Se fossemos utilizar a dita (des) proporção da ONU (vide: http://gpsegalagoas.blogspot.com/2011/04/des-proporcao-da-onu-repetindo-pedidos.html ), teríamos que ter 1 policial para 250 habitantes. Ufa! Cansei…bem caros leitores, façam então as contas e, talvez nós precisemos um pouco mais de policiais do que os números apresentados pelo vice-governador…Salário? Pra que? Segundo outros cálculos especializados, nós estamos muito bem, obrigado.


Eduardo Lucena 05. abr, 2011 às 19:05 #
…À propósito, estou também à disposição do Vice-governador para discutir em cima de números e para debater também sobre segurança pública, suas nuances e seus problemas, sem nenhuma conotação politiqueira mas extremamente técnica pois, ao contrário de suas declarações, nós servidores públicos não somos tão alienados como ele pensa!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Suzane, 19 anos, bela e rica, matou por amor

Por: Arnaldo Jabor

  Suzane Louise Richtfen (19 anos)e seu namorado, Daniel de Paula e Silva (21anos) foram acusados de assassinar os pais dela em outubro de 2002. Segundo a jovem, ela matou os pais por eles não aprovarem seu namoro. CRIME HORRORIZOU todo mundo. Até os assassinos na cadeia chocaram. Mesmo no mundo do crime há uma ética a preservar, mesmo o pior criminoso tem um interdito moral. O crime de parricídio e matricídio premeditado durante o sono é mais que um crime; é uma viagem ao desconhecido, é o desejo de atingir um recorde supremo. Não há nada pior. Que delito Suzane e seus cúmplices poderiam considerar mais hediondo? Suzane está no topo, nada há além dela. Ela nos aterroriza com sua crueldade. Os dois monstros boçais ainda dá para entender: queriam grana, motocas e tatuagens, filhos dessa geração de shoppings e violência. Ela, não. Precisamos encontrar explicações para ela, senão ficamos ameaçadíssimos. O crime sem motivo nos desorganiza. Se ela, jovem, bela e rica, matou, que será de nós ? O crime sujo da favela apenas nos dá medo. O crime limpo e rico nos desampara, nos dá vertigem. Suzane nos leva à beira da loucura, mas ela não é louca. Então, ela matou por quê? — perguntamo-nos. Isso é que fascina e apavora no psicopata: ele toca em nosso mistério. Vizinhos e amigos sempre dizem: "Eram doces, educados, tímidos..."
Até a hora em que metralham espectadores num cinema ou matam pai e mãe dormindo. Por isso, os psiquiatras buscam "causas", como se a vida social fosse um contrato de bom senso, como se fôssemos animais racionais e a loucura, um "desvio". É o contrário: a sociedade é que é um desvio. Não adianta ter ódio de Suzane; não há punição que apague o seu crime, não há como pagar sua dívida. O inferno cotidiano que ela terá não apagará aquele momento, sempre além de qualquer entendimento. Mas mesmo os psicopatas precisam de uma razão maior para justificar o crime. "Matei por amor...", diz a menina de 19 anos, fina, linda, universitária. No entanto, esse amor que a menina invoca é outro "amor". Ela e todos nós precisamos "justificar" esse crime. Ou seja, deve haver um motivo para se matar a mãe. Ela também precisa de um motivo, pois ela não sente culpa porque matou. Ela matou justamente para preencher um grande vazio em seu mundo interno, matou para atravessar um deserto afetivo, matou porque não sentia culpa, matou por vingança de não sentir culpa, matou até para tentar sentir alguma culpa, sentir até algum... amor. Por isso, sua declaração nos apavora: "Matei por amor! " Matou, sim, por amor, para conseguir um pavoroso amor por que ela ansiava. Que estranho amor é esse ? Eu acho que ela buscava o "amor" da hora. É o amor que nos grita de dentro do comércio, de dentro do consumo, que nos chama de c dentro de um narcisismo impossível
de ser satisfeito, um amor que consome tudo, querendo uma felicidade absoluta, com a abolição de todos os vínculos, todas as barreiras do "Édipo", todos os deveres sociais, Suzane quis fazer um gesto imperdoável para sempre, absoluto, livre para sempre da condição humana, quis o sangrento incesto invertido com os pais deitados na cama onde eIa foi (talvez?) feita. Esse crime seria uma espécie de conquista de Poder, sim, o poder de estar acima dos sentimentos, da justiça, o poder de viver sem sociedade em volta, um poder maluco que vemos anunciado nas entrelinhas das ideologias de hoje, nas gargalhadas sem remorso nas revistas, na abolição descarada da compaixão, na promessa da satisfação total, na fome de ter "tudo", O poder de liberdade crua que Suzane almejou me lembra o poder que os Macbeth conquistariam, depois de "assassinarem o sono". A frase da peça que mais me aterroriza é quando lady Macbeth, preparando-se para
o crime, grita a Deus ( ou ao demônio) : "Unsex me!" ( "Dessexualize-me !") Ou seja: "Tire de mim a bondade feminina, transforme-me não num homem, mas tire o sexo de mim, para que eu seja um ser livre da diferença, livre da condição humana dividida e me transforme num ser monobloco, com um desejo só."
Como seria o amor de Daniel e Suzane, "Romeu e Julieta" ao contrário, se tudo tivesse "dado certo"? Com os pais mortos, grana no bolso, garupa de motocicleta, os dois teriam uma espécie de fusão, de orgasmo contínuo, acima da vida, acima do cotidiano, pois ninguém mais poderia existir - só eles. A sociedade está tão narcisista, tão excludente de qualquer solidariedade, tão brutal no seu desejo de satisfação, que contamina até os privilegiados. A pulsão de morte anda solta. Vivemos atacados pela brutalidade do noticiário, pelos homens-bomba, pela estupidez da cultura que gera batalhões de rapazes criminais, sem camisa, obcecados por uma felicidade de consumo impossível. Não somente as balas nos atingem, mas também a imensa boçalidade da cultura.
Suzane é psicopata, mas nossa sociedade também o é. Não há explicação para esse crime. Não adianta procurar causas, traumas. Esse crime ficará sempre em aberto. Misterioso, como nosso destino.

terça-feira, 5 de abril de 2011

(Des) Proporção da ONU

Por: Eduardo Lucena


Tenho ouvido falar constantemente, principalmente das autoridades que trabalham com Segurança Pública, à respeito de qual seria o número ideal de policiais para determinada área ou quantidade de cidadãos, segundo "normas da ONU". Neste viés, já ouvi de tudo; 250 habitantes para 1 policial, 350 para 1, 450 para 1, 1.000 para 1, e por ai vai. Acontece que sempre desconfiei desta orientação. Por motivos vários e, o principal, nunca encontrei nada à respeito. Pesquisei no site da ONU, da OMS, em todo canto, mas a única coisa que consegui encontrar foi a seguinte frase: "Segundo o Instituto tal, a ONU declarou...". Bem, já me sentia um tanto quanto isolado nesta minha busca, até que, com grata surpresa, encontrei o texto abaixo, transcrito in totum, do endereço http://abordagempolicial.com/2008/11/desproporcao-da-onu/. Dê sua opinião. 




Constantemente estudos e reportagens recorrem a um referencial estipulado pela ONU para avaliar o policiamento em determinada área baseando-se na proporção de1 policial para cada 250 habitantes. Parecem haver razões diversas para desacreditar nesse valor numérico, as quais serão listadas abaixo, sem esgotar cientificamente o dado, mas com uma avaliação racional e alicerçada sobre o assunto.
Conceitos como o de população flutuante corroboram para o descrédito na proporção ora avaliada, afinal uma área eminentemente comercial pode ter intenso fluxo de pessoas durante o dia, tornando-se um deserto urbano à noite, tornando dúbia a estatística pela variabilidade não considerada em uma das partes.
Supondo-se igual população e efetivo policial, a situação é a mesma?


Além de se comparar o efetivo com a população, é forçoso considerar a área, afinal o conjunto de habitantes densamente agrupados requer policiamento diferenciado de uma comunidade dispersa sobre larga extensão territorial. Um mesmo número de indivíduos e policiais, distribuídos em espaços significativamente distintos, requer análise diferenciada, considerando essa grandeza.
Aspectos sociais, estruturais e econômicos interferem em alto grau na demanda pelo serviço. Um ambiente habitados por residências de idosos aposentados em área tranqüila é bem distinto de uma favela superpovoada, ou de uma área com agitação noturna e turística intensas, o que tira do quantitativo numérico a razão principal para análise do trabalho efetuado.
Discrepâncias: você usaria um mesmo referencial para essas áreas?

 férias, afastados por questões diversas, e tantas outras situações que retiram o policial das ruas, o que confere um caráter ficto e irreal a esse tipo de estudo.
Grande quantidade desprovida de recursos perde significativamente sua eficiência potencial, não basta distribuir homens nas ruas aleatoriamente. Um eficiente sistema de comunicação, câmeras, recursos tecnológicos, treinamento diferenciado, aliados a motocicletas, viaturas, até helicópteros, bom armamento, posicionamento estratégico e realização de operações preventivas e repressivas vai diferenciar decisivamente a capacidade de controle das ocorrências em uma área, deixando de lado a questão numérica.
Em cada imagem há 7 policiais militares, é a mesma coisa?
  Enfim, não há como esgotar as incontáveis razões para se questionar justificadamente o emprego de tal referência numérica para avaliação do policiamento em determinada localidade. Certamente o valor, foi precedido de estudos com alguma cientificidade, mas o fato de ser mundial, tentando criar um parâmetro semelhante para o Brasil, a Suiça, o Iraque e a Etiópia, já o torna suficientemente suspeito para que pese sobre o mesmo um alto grau de descrédito.

terça-feira, 29 de março de 2011

Grupo de Pesquisa em Segurança Pública

O Grupo de Pesquisa em Segurança Pública, devidamente homologado pelo CNPq, reune pesquisadores, estudantes e profissionais de Segurança Pública com o fito de obter e desdobrar estratégias de Segurança Pública e Justiça baseadas nos dados atuais referenciados da criminologia contemporânea. Trabalhamos com as seguintes linhas de pesquisa:

1. As Escolas de Chicago e sua influência no estudo criminológico no Brasil;

2.  Homicídios;

3.  Sistema Prisional;

4.  Vitimização.